26.9.06

Pra vc meu amor...

Toda a saudade do mundo dentro de nós.
E sim a gente suporta.
E se posso chegar até você, o que mais importa?
A gente é mais.
De tanta felicidade, acabamos nos imunizando contra muita coisa.
Simplesmente porque somos dois olhando a mesma paisagem, partilhando as mesmas coisas. Rindo quando devemos rir, calando quando devemos calar e algumas poucas vezes, chorando.
Juntos... Há coragem nas lágrimas, porque nelas existe a entrega. Mas pelo teu sim e pelo meu sim estamos juntos. E todas essas lágrimas só serviram para nos aproximar mais ainda...
Porque não é só a felicidade de te ter, mas sim todo esse caminho que nos levou a chegar até aqui, toda essa descoberta das coisas não sentidas antes...
Porque descobri que a saudade dói, não poder nesse momento te beijar e não poder te dizer baixinho no teu ouvido tudo isso que está escrito dói.
Só que a felicidade é maior que tudo isso.
E sempre será.

Te espero...

No ônibus...

- AH, DEIXA, MÃE!

Uma voz estridente me chamou a atenção.

- DEIXA! POR FAVOR!
- Não, e pára de gritar.

Sentada atrás de mim. Devia ter uns 7 anos, no máximo.

- Tá, eu páro, mas deixa eu ficar com uma linha de telefone.
- Não.
- Mas pq não? Vcs não usam. Põe a 3211 no meu quarto e vc e o meu pai ficam com a 3155. Ninguém usa a 3211.
- E nem vc vai usar.
- Mas por queeeeeeeeeeee?
- Vc vai pagar?
- Eu não. Vc vai.
- Não, não vou.
- Mas vai ficar baratinho. Cê sabe que eu nem falo muito.
- Não, filhinha. E chega.

Instantes depois....

- Eu posso entrar no chat da UOL?

Quase virei pra trás e disse: HEIN?!

- Vou pensar.
- Mas vc pode estar em casa.

Virei pra trás, mas não disse nada.

- Todo mundo entra sem ninguém junto. Deixa eu entrar.
- Depois a gente vê.
- É super legal, mãe. Todo mundo conversa. E se eu for encontrar alguém, vc pode me levar.

HEIN? Não, eu não disse, só pensei.

- Não.
- Mas por que nãooooooooooooooo?
- Pq não.
- Todas as minhas amigas entram. As mães ficam vendo a conversa, elas participam.
- Não insiste, filha. Depois nós vamos ver.

Alguns instantes...

- Vc viu que a Fê comprou uma mochila nova?

XIIIIIIIIIII. De novo, só pensei.

- É...?
- É! É LINDA!
- Hum...
- É, então... Tem rodinha.
- Hum... hum...
- Agora eu quero uma nova também. Cê tem que comprar uma pra mim também.
- Não.
- Mas no começo do ano que vem, vc vai me dar uma mochila nova, né?
- Pode ser. Vamos ver.
- Com rodinha.
- A gente vê...
- Dos Rebeldes. Cê tem que comprar pra mim.

As pessoas em volta se olhavam.

- MÃE! Sabia que tem tudo dos Rebeldes agora????
- É?
- ÉÉÉÉÉÉÉÉ! Tem até...

Saíram.

19.9.06

Dread

Segunda-feira, no ônibus, um dread do meu lado, virado de costas pra mim.
Terça-feira, no banco, um dread sentado na minha frente. Este último foi embora antes de mim. Quando cheguei na porta da escola, quem estava lá? Sim, ele.
Eles estão em todos os lugares, planejando como dominar o mundo usando seus piolhos - que ficam confinados nos dreads, com água, luz e comida racionados, até ficarem selvagens o sufciente para o momento do ataque - como armas. Mas, antes disso, eu consigo minha passagem pra Plutão... Prefiro um planeta verticalmente prejudicado do que um planeta tomado por piolhos enlouquecidos e com sede de sangue.

Ufa, falei!